sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Reflexões sobre a Interdisciplina de Educação de Jovens e Adultos (EJA):

Os estudos sobre o texto de Giroux “Alfabetização e a pedagogia do empowerment” chamaram a minha atenção sobre a alfabetização funcional e crítica respectivamente, na EJA. Compreendo que para esta alfabetização, deveríamos lutar como se luta por um movimento social no presente e no futuro, considerando que para a sua organização e construção seria necessário desenvolver práticas pedagógicas em conjunto com professores e alunos, em torno de visões da comunidade que sejam mais emancipadoras, compreendendo e transformando suas experiências pessoais, mas também reconstituindo suas relações com a sociedade mais ampla. Já no texto de Kohl “Jovens e Adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem” foi significativo para a minha aprendizagem entender melhor sobre o aluno adulto e o aluno jovem no âmbito da EJA. O aluno adulto normalmente é um migrante proveniente de áreas rurais pobres e o aluno jovem, excluído das escolas regulares, por repetência e evasão. Ambos podem ser totalmente analfabetos ou pouco escolarizados porque pararam de estudar pelo motivo de ter de trabalhar muito desde suas infâncias para ajudar nas despesas básicas da casa. Considero que essas duas leituras (em especial) propostas pela Interdisciplina de EJA me proporcionam uma estrutura para a realização do trabalho para a “Mostra de Pôsteres sobre realidade dos contextos de Jovens e adultos”.
Pude perceber na realização das entrevistas que realizei com os alunos da EJA na Escola Felipe Scheffer no dia 04 (quarta-feira). Pois entrevistei um jovem de 21 anos, um senhor de 45 anos e uma senhora de 56 anos e tanto suas características, quanto os motivos pela desistência dos estudos e a procura pela EJA, se enquadraram com as descrições citadas acima da autora Marta Kohl. Também percebi que suas respostas às perguntas do roteiro da entrevista enquadraram-se nas idéias de Giroux, sobre a educação de EJA não dever se esgotar somente numa alfabetização mecânica, com objetivos de ensinar a ler e escrever. Estes alunos procuram mais que isso, eles querem e demonstram em suas falas, o que explicita Giroux em seu texto, o desejo de uma escolarização ampla e de qualidade com atividades contínuas que se preocupe com as suas culturas, preparando-lhes para o mercado de trabalho e propondo-lhes novas formas de conhecimento. Com suas próprias palavras, os educandos entrevistados também me remeteram ao primeiro texto estudado de Jamil Cury “Parecer 11/2000” sobre as “Diretrizes Curriculares Nacionais da EJA”, que tem como funções: reparar, qualificar e equalizar o ensino.
Resolvi realizar esta postagem hoje, porque percebi que foram relevantes minhas reflexões feitas através das leituras propostas na Interdisciplina para a realização desta primeira parte do trabalho de Pôsteres, que foram as entrevistas com alunos da EJA. E acredito que estas mesmas leituras, fóruns e demais atividades elaboradas até o momento, me fornecerão os subsídios necessários para a elaboração do texto e montagem da versão final do trabalho.

Um comentário:

Roberta disse...

Simone!!

Trabalhar com o EJA é sempre um desafio pois temos que lembrar constantemente que esses alunos são diferentes das crianças, que têm uma história de vida e que já possuem muitos saberes. Saber aproveitar isso faz com os alunos se sintam valorizados e estimulados a aprender.

Abraços
Roberta